Ações ordinárias e preferenciais: você sabe as diferenças? 

Resumo do conteúdo: Este conteúdo explica as principais diferenças entre ações ordinárias e preferenciais, destacando como cada tipo influencia os direitos dos acionistas e a participação nos resultados das empresas. O artigo também aborda o funcionamento das units, apresenta exemplos envolvendo companhias como Petrobras e Taesa e discute como as características de cada possibilidade influenciam a escolha dos ativos em uma estratégia de investimento. 

Quem investe no mercado de capitais costuma se deparar com ações ordinárias e preferenciais. Apesar de representarem participação em uma empresa, elas não oferecem exatamente os mesmos direitos aos acionistas, o que torna importante compreender suas diferenças antes de investir. 

Essa distinção influencia aspectos como participação nas decisões da companhia, recebimento de dividendos e até a liquidez dos papéis. Vale saber que algumas empresas têm apenas uma classe de ações negociada na bolsa, enquanto outras disponibilizam diferentes alternativas ao investidor. 

Neste conteúdo, saiba mais sobre as características e as diferenças entre ações ordinárias e preferenciais, além de entender como elas podem impactar suas decisões de investimento! 

Quais as diferenças entre ações ordinárias e preferenciais? 

Ao comprar papéis de uma empresa na bolsa de valores, você passa a ser um de seus sócios. No entanto, essa participação pode ocorrer por meio de diferentes tipos de ações, cada um com direitos específicos previstos no estatuto da companhia e na legislação brasileira. 

As duas categorias mais conhecidas são as ações ordinárias, também identificadas pela sigla “ON”, e as preferenciais, representadas pela sigla “PN”. Embora ambas façam parte da estrutura acionária de uma empresa, elas oferecem benefícios distintos aos investidores. 

O principal ponto é que as ações ordinárias priorizam a participação nas decisões da companhia. Enquanto isso, as preferenciais podem oferecer vantagens relacionadas à distribuição de dividendos

A escolha entre cada categoria depende dos seus objetivos, da sua estratégia e das características de cada empresa listada na bolsa. 

Saiba mais sobre os tipos de ações e suas diferenças! 

Ações ordinárias 

As ações ordinárias são identificadas pelo número 3 no código de negociação. Um exemplo bastante conhecido é “PETR3”, ticker da Petrobras. 

Sua principal característica é conceder ao investidor o direito de voto em assembleia. Isso significa que o acionista desse tipo de papel pode participar de decisões importantes, como: 

  • eleição do conselho de administração; 
  • aprovação de demonstrações financeiras; 
  • operações societárias relevantes. 

Para investidores individuais, porém, o peso desse voto costuma ser limitado, já que grandes acionistas normalmente concentram boa parte do capital votante. Mesmo assim, esse direito representa uma diferença significativa em relação às ações preferenciais. 

Caso ocorra a venda do controle da companhia, os detentores de ações ordinárias têm a proteção do tag along. O mecanismo garante o direito de vender suas ações por, no mínimo, 80% do preço pago ao controlador. Algumas empresas oferecem um percentual ainda maior em seus estatutos. 

Vale ressaltar que, em segmentos mais elevados de governança corporativa da bolsa, como o Novo Mercado, somente ações ordinárias podem ser negociadas. Por esse motivo, diversas companhias têm apenas esse tipo de papel disponível aos investidores. 

Ações preferenciais 

As ações preferenciais são identificadas, na maioria dos casos, pelo número 4 ao final do código de negociação. O ticker “PETR4”, também da Petrobras, é um exemplo. A empresa possui os dois tipos de papéis na bolsa de valores brasileira. 

Diferentemente das ordinárias, as ações preferenciais normalmente não oferecem voto em assembleia. Apesar disso, existe a possibilidade de elas concederem o direito em situações específicas previstas pela legislação ou pelo estatuto da companhia. 

Em determinadas condições, as ações PN também podem adquirir direito de voto, como na falta de pagamento dos dividendos fixos ou mínimos a que tenham direito. 

Em contrapartida, os investidores com esses papéis têm prioridade na distribuição de dividendos ou no reembolso de capital em caso de liquidação da empresa. Essas vantagens podem variar conforme o estatuto social de cada companhia. 

Muitos investidores que priorizam a geração de renda passiva regular observam as ações preferenciais para montar suas carteiras. 

Entretanto, vale destacar que não existe uma regra segundo a qual toda ação preferencial paga dividendos maiores. Cada empresa estabelece suas condições, tornando indispensável analisar as informações disponíveis antes de investir. 

Além disso, é válido saber que diversas companhias deixaram de emitir papéis preferenciais ao aderirem ao Novo Mercado. 

Ações units 

Junto das ações ordinárias e preferenciais, existe outra classificação na bolsa: as units. Elas correspondem a um pacote formado por diferentes ativos emitidos pela mesma empresa, reunidos em uma única negociação. 

Esse conjunto normalmente combina ações ordinárias e preferenciais em proporções previamente definidas pela companhia. Um exemplo conhecido é o ticker “TAEE11”, da Taesa.  

Nessa alternativa, a unit é composta por uma ação ordinária (TAEE3) e duas preferenciais (TAEE4). Dessa forma, é possível adquirir essa combinação por meio de apenas um código de negociação. 

Essa estrutura pode facilitar a negociação e oferecer uma combinação de características presentes nas duas categorias. Ainda assim, é essencial consultar a composição de cada unit, pois ela costuma variar entre as empresas. 

É válido mencionar que poucas companhias na bolsa têm ações ordinárias, preferenciais e do tipo unit juntas, como a Taesa. Outros exemplos são: 

  • Alupar (ALUP3, ALUP4 e ALUP11); 
  • Klabin (KLBN3, KLBN4 e KLBN11); 
  • Sanepar (SAPR3, SAPR4 e SAPR11). 

Como essas características das ações influenciam a escolha de ativos? 

Entender as diferenças entre esses tipos de ações é fundamental para a escolha de ativos na estratégia de investimento. Se você busca maior participação nas decisões societárias de uma empresa, por exemplo, as ordinárias fazem mais sentido.  

Já se o seu foco é receber proventos, as ações preferenciais tendem a combinar melhor com sua estratégia. Contudo, lembre-se sempre de avaliar as características específicas de cada companhia. 

Considerar as diferenças entre ações ordinárias e preferenciais é apenas uma parte da análise. A escolha de ativos para sua carteira deve envolver diversos fatores, como: 

  • qualidade da gestão da empresa; 
  • setor de atuação; 
  • liquidez das ações (facilidade e velocidade para transformar os papéis em dinheiro); 
  • histórico financeiro; 
  • práticas de governança corporativa. 

Cabe ressaltar que não existe uma única resposta sobre qual alternativa é melhor: ações ordinárias, preferenciais ou units. A decisão depende da sua estratégia, do seu horizonte de investimento e da análise individual de cada empresa no mercado acionário

Conhecer as diferenças entre ações ordinárias, preferenciais e units é indispensável para investidores. Com esse entendimento, você amplia sua capacidade de avaliar oportunidades, podendo tomar decisões mais conscientes e alinhadas às suas estratégias. 

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