Elasticidade: por que conhecer esse conceito da economia? 

A precificação de produtos e serviços é uma das rotinas mais relevantes na gestão financeira de uma empresa. Afinal, os preços precisam, ao mesmo tempo, ser atrativos para os clientes e vantajosos para os negócios.  

Nesse sentido, o conceito de elasticidade na economia ajuda a entender como consumidores e empresas reagem às mudanças de preço. Portanto, o conceito é fundamental para analisar variações econômicas e tendências de mercado. 

Neste conteúdo, você verá o que é elasticidade na economia, como ela funciona e como o conceito pode impactar suas decisões de investimento. Acompanhe a leitura! 

O que é elasticidade na economia e como ela funciona? 

Elasticidade é um conceito que mede como uma variável econômica reage à variação de outra, geralmente relacionando preço e quantidade demandada ou ofertada. Ela indica, por exemplo, quanto a demanda ou a oferta oscila quando há um reajuste, permitindo compreender o grau de sensibilidade do mercado.  

Desse modo, a medida ajuda a explicar por que determinados produtos sofrem grandes quedas de consumo com leves mudanças de preço, enquanto outros permanecem estáveis. Classificar um bem como “elástico” significa que pequenas alterações de preço geram variações significativas na quantidade demandada.  

A maior elasticidade costuma acontecer com itens supérfluos, produtos com muitos concorrentes ou categorias em que o consumidor troca facilmente um bem por outros semelhantes. Do outro lado da equação, itens com menos elasticidade apresentam uma demanda mais resistente, mesmo diante de aumentos relevantes. 

Essa distinção permite interpretar padrões de consumo, especialmente em períodos de inflação alta. Em cenários desse tipo, as famílias tendem a reduzir compras de produtos elásticos rapidamente, enquanto ajustam o orçamento para manter os itens essenciais e menos elásticos. 

Por que o conceito de elasticidade é tão importante? 

O nível de elasticidade de um item indica o grau de dependência do consumidor e da disposição para substituí-lo por alternativas. 

Há diversos exemplos no dia a dia do mercado brasileiro e no comportamento do consumidor. Itens básicos, como medicamentos, combustível e certos alimentos, costumam ter demanda estável, mesmo em períodos de inflação, porque não há substitutos próximos.  

Já categorias como roupas e eletrônicos são normalmente sensíveis a preço, especialmente quando o orçamento das famílias aperta. Logo, o conceito de elasticidade é relevante porque ajuda a explicar como as empresas definem preços e lidam com a concorrência.  

Em mercados muito elásticos, qualquer reajuste pode fazer o consumidor migrar para outra marca ou para itens similares. Já em mercados inelásticos, as companhias conseguem repassar custos com mais segurança, preservando — e até ampliando — as margens. 

Quais fatores impactam a elasticidade?  

A elasticidade não depende exclusivamente do preço. Existem diferentes elementos que impactam como o consumidor reage às mudanças. 

Entre os principais fatores, estão:  

  • existência de substitutos; 
  • tempo de adaptação;  
  • peso do produto no orçamento das famílias.  

A presença de substitutos é, possivelmente, o fator mais intuitivo. Quando o consumidor tem opções semelhantes — como marcas de arroz, cortes de carne ou tipos de café —, qualquer reajuste pode levar à troca por uma alternativa mais barata.  

Dessa forma, o bem se torna mais elástico. Por outro lado, quando não há substitutos próximos, a demanda tende a ser inelástica, mesmo diante de aumentos expressivos. 

O tempo também exerce influência na elasticidade. No curto prazo, o consumidor tem pouca margem para mudar hábitos e a demanda costuma reagir pouco. Mas, com o passar dos meses, a sensibilidade aumenta porque as famílias têm tempo para reorganizar escolhas. 

Por fim, a participação do produto no orçamento deixa reflexos na elasticidade. Itens que representam uma parcela pequena do orçamento tendem a ter demanda mais estável, mesmo diante de aumentos relevantes de preço.  

Já produtos de maior impacto financeiro, como aluguel, eletrodomésticos ou alimentação fora de casa, tendem a gerar reações mais intensas quando sofrem reajustes. Em momentos de aperto no orçamento, esse efeito se torna ainda mais visível. 

Leia mais: Qual a importância da educação financeira e como desenvolvê-la? 

Quais são os tipos de elasticidade? 

A elasticidade na economia vai além da relação entre preço e demanda. Como você já aprendeu, a elasticidade-preço da demanda é a mais conhecida. Ela mostra como a quantidade procurada de um produto muda quando o preço varia. 

Em conjunto com ela, há a elasticidade-preço da oferta. O conceito avalia como os produtores ajustam a quantidade ofertada quando o preço do próprio item muda. Por exemplo, se a produção aumenta com facilidade, a oferta é elástica. Caso contrário, a oferta tende a ser menos sensível às variações de preço. 

Por sua vez, a elasticidade-renda analisa como o consumo se altera quando a renda das famílias sobe ou diminui. Determinados itens ganham espaço quando há mais dinheiro disponível, enquanto outros são deixados de lado. 

Já a elasticidade cruzada compara dois produtos diferentes. Ela identifica se são substitutos, como marcas de um mesmo item, ou complementares, como café e açúcar. Quando o aumento de preço de um produto faz a procura por outro crescer, pode-se dizer que eles são substitutos.  

Já se a elevação de preço de um item reduz a demanda por outro, as empresas estão diante de bens complementares. Essa análise é importante para compreender concorrência, hábitos de consumo e dinâmicas entre categorias relacionadas. 

Qual é a importância da elasticidade para investidores? 

Para investidores, o conceito de elasticidade auxilia na compreensão de como as empresas lidam com variações de preço e como isso pode afetar suas receitas. Por exemplo, sabendo desse conceito, você consegue diferenciar setores defensivos daqueles sensíveis ao ciclo econômico. 

Assim, é possível enriquecer análises sobre riscos de investimentos e comportamento dos investimentos em diferentes cenários econômicos. Enquanto companhias em mercados inelásticos podem apresentar mais estabilidade, setores elásticos costumam ser mais voláteis. 

Dessa maneira, pode ser vantajoso incluir esse estudo junto de uma análise fundamentalista. Você tem a chance de compreender melhor as características de cada empresa e o cenário do mercado em que ela está. 

Neste artigo, você entendeu como a elasticidade na economia mostra como preços, renda e escolhas do consumidor moldam o funcionamento do mercado. Para quem investe ou acompanha o mercado brasileiro, o conceito contribui para decisões mais informadas no processo de análise. 

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